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Grace Hopper: Almirante da Marinha dos EUA e visionária da computação por seis décadas
Postado por
Henrique Cesar Ulbrich
em
07/03/2012 00:00
Blog: Rock and a hard place
Karmômetro (?)
excelente
Como parte das homenagens ao Dia Internacional da Mulher, abrimos a semana com a grande Almirante Hopper, pioneira em diversas áreas da computação nos anos 60 e 70. Ela é responsável, por exemplo, pela criação da linguagem COBOL.
Por Sara Ferrari
Antes mesmo de existir a “maneira geek de ser”, a área tecnológica – bem mais fechada do que hoje – era composta por tipos muito estranhos. Quase que exclusivamente homens, os engenheiros e cientistas da computação dessa primeira época de ouro da informática eram o estereótipo do nerd: fora de forma, usualmente usavam óculos e eram extremamente inteligentes e cultos, além de verdadeiros gênios em suas respectivas áreas. E, claro, extremamente sexistas.
Mas existiram mulheres que foram além de seu papel de mães e donas de casa, nesses anos em que era preciso queimar sutiãs em praça pública para serem ouvidas. Lutando contra todo tipo de dificuldades e preconceito, uma dessas admiráveis mulheres é a Contra-Almirante Grace Hopper, da Marinha dos Estados Unidos.
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Vovó COBOL

Hopper em seus primeiros anos de trabalho com computadors. (Imagem: Gap-System.org)
Nova iorquina conhecida por dar aulas e palestras de extrema elegância (como no vídeo abaixo, em que explica o que é um nanosegundo), ficou realmente famosa por ter participado, em 1959, ativamente do comitê CODASYL, que criou o conceito e a especificação da linguagem de programação COBOL.
A “vovó COBOL” era uma analista de sistemas na Marinha dos Estados Unidos e Ph.D em matemática. Em meio a um pós-guerra extremamente machista e conservador nos EUA, nunca se deixou abater em sua trajetória e sempre com um estilo irreverente, salpicado de um bom senso de humor embarcava quem quer que estive ao seu lado em suas histórias da Segunda Grande Guerra.
Na época, o COBOL foi um marco, já que (até então) era a única que se aproximava da linguagem falada pelo homem (no caso, a língua inglesa). Até então, a maioria dos computadores era programada por uma dificílima sucessão de números chamada linguagem da máquina.
Havia, claro, implementações de linguagens proprietárias “em forma humana”, como a FACT, da Honeywell, e a COMTRAN, da IBM, mas eram todas incompletas e incompatíveis. O COBOL pegou elementos de todas elas, mas acabou sendo baseado quase que completamente em uma linguagem anterior criada pela própria Dra. Hopper chamada de FLOW MATIC – que estava completamente implementada no famoso computador UNIVAC I, da empresa Remington Rand (hoje UNISYS) já em 1954. Na foto do alto da página, Hopper é vista posando em frente (e fingindo estar operando) o referido UNIVAC I.
Portanto, se você hoje faz seu programinha de forma fácil em Python, C# ou Java e tem certeza de que ele vai rodar em vários computadores sem adaptação, deve quase tudo à Sra. Hopper.

Comemoração dos 25 anos da linguagem COBOL. (Domínio Público)
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Não só o COBOL…
Hopper foi uma das primeiras pessoas – homens ou mulheres – a programar o computador Harvard Mark I. Um dos primeiros computadores eletrônicos que existiu, foi criado em 1944 – dois anos antes da introdução do famoso ENIAC. Todavia, ao contrário do ENIAC, que era feito com válvulas e portanto muito mais confíável, o Harvard Mark 1 funcionava à base de relés, contatos rotativos e outras esquisitices eletromecânicas. Sua programação era feita diretamente no hardware, com fios. A experiência da Dra. Hopper no Mark 1 foi decisiva para que ela concebesse as bases das linguagens naturais de computador.

Relatório com a caligrafia de Hopper mostrando o primeiro bug “fisicamente encontrado”. (Imagem: Marinha Americana / Domínio Público – via Wikimedia Foundation)
A cientista também foi a responsável pela popularização do termo “bug”, usado até os dias de hoje para relacionar uma falha no código-fonte de qualquer software. Mas, naqueles tempos em que o software praticamente não existia (o computador era “programado” no próprio hardware), os insetos eram realmente um problema porque podiam ficar presos entre os contatos de um relé, roer um fio ou mesmo causar um curto-circuito com seu corpo. Como isso era muito comum, quaisquer tipo de erros (e não apenas os causados pelos insetos) foram batizados como “bugs” – insetos, em inglês – daí em diante, e até hoje 1.
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Legado
Nascida em 1906, Hopper era a mais velha de três irmãos, e desde pequena era uma criatura curiosa desenvolvendo sua paixão pela tecnologia e matemática. Aos sete anos, por exemplo, sua casa perdeu sete relógios, todos desmontados por ela, na simples vontade de saber como a engrenagem funcionava.
Na Marinha ela conta que as pessoas tinham medo do computador. Tinham medo de um telefone, “não queriam nem chegar perto”, mas mesmo assim, Hopper avançou nessa área e ganhou inúmeros prêmios e homenagens – dentro e fora d amarinha. Desde poemas até prédios e navios de guerra levam seu nome. A Microsoft, por exemplo, batizou um grupo trabalho de desenvolvimento de novas linguagens com seu nome – os funcionários são até hoje chamados “Hoppers” e somam, em 2012, mais de três mil membros por todo o mundo.
Mesmo depois de sua morte em 1992, é relevante mencionar seu nome tanto por suas realizações quanto por sua visão além da época em que viveu, aplaudindo os destemidos que, junto à ela, transformaram a história da tecnologia da computação e programação.
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(Imagem: Marinha Americana / Domínio Público – via Wikimedia Foundation)
Na entrevista que Hopper deu ao programa “60 minutes” em 1983 – ainda usando o uniforme da Marinha (diz ela porque azul era uma de suas cores favoritas) – uma das frases que logo viria a ser uma de suas mais famosas conotações faz jus à personalidade visionária de Grace Hopper: “É mais fácil implorar por perdão às vezes do que pedir permissão”, já que de acordo com ela “quando se está em dúvida, não pergunte, apenas faça”.
Entrevista dividida em duas partes:
parte 1: www.youtube.com/7sUT7gFQEsY
parte 2: www.youtube.com/related
Nessa entrevista aparece um trecho de uma palestra que ela deu a engenheiros da marinha. Nela, Hopper exemplifica o que é um nanossegundo e conta de forma absolutamente hilária como ela explica esse conceito a um oficial que não entende porque as comunicações via satélite “atrasam” a voz.
Uma mulher admirável, em todos os sentidos. Assim como Steve Jobs e Dennis Ritchie, a Contra-Almirante Grace Hopper é uma das responsáveis por você ter seu smartphone no bolso, fazer operações bancárias pela internet e usufruir de todo o aparato tecnológico que hoje é corriqueiro.
Pegamos emprestado o título da biografia de Grace Hopper, de autoria de Kathleen Broom Williams, para fechar esta homenagem com a honraria que esta admirável mulher merece: a primeira e única Almirante do Cyber-Oceano.
Thank you, Amazing Grace!
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1 O termo bug é anterior a Hopper – Thomas Edison já usava esse termo em 1878! Mas, mesmo com seu emprego em massa por técnicos militares na Segunda Guerra, só ficou popular (pelo menos em relação ao grande público) depois da divulgação do famoso relatório com o inseto (uma mariposa) preso com fita adesiva. O relatório (e a mariposa) ainda existem e podem ser vistos no Museu Nacional de Historia Americana do Instituto Smithsoniano, em Washington DC. A propósito, isso aconteceu já no Harvard Mark 2, no final dos anos 40 (provavelmente 1947).
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(Imagem: Montagem sobre fotos de domínio público da Marinha dos Estados Unidos / PrimerLabs.com)
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