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Windows 95: quinze anos de grandes feitos e telas azuis
Postado por
Das Übergeek
em
24/08/2010 23:45
Blog: ÜberGeek
Karmômetro (?)
bom e polêmicoMemórias de um tempo em que a computação deixou de ser para especialistas.
Por Mario Amaya
Era muito chato ser um usuário de Macintosh (ou Linux, ou OS/2, ou Amiga…) em agosto de 1995, pois um assunto único monopolizava todas as rodas de discussão e BBS de informática: a chegada do novo sistema da Microsoft, codinome “Chicago”. Matérias em todos os programas de TV, filas nas portas de lojas, eventos especiais ao redor do mundo, campanha publicitária de TV com trilha sonora dos Rolling Stones (youtu.be/HM0DL5giOBU). Nunca mais a companhia de Bill Gates e Steve Ballmer gerou uma empolgação tão grande e genuína com a chegada de um produto seu, nem o adjetivo “revolucionário” foi usado tão frequentemente para referir-se a ele.

Vários programas ao mesmo tempo, e um paradigma de operação que perdura até hoje. Ninguém estranharia o Windows 95, quinze anos depois. (Wikipedia)
O Windows 95 unificou o DOS com o Windows – que até então era nada mais que um “apresentador gráfico” rodando diretamente sobre o DOS, requerido apenas por programas específicos – e veio no embalo do avassalador sucesso prévio dos dois produtos em separado. Pegou carona no aumento dramático das vendas de computadores, da adoção em massa de “kits multimídia” e da iminente explosão da Web. Essas novidades todas anunciavam tempos muito interessantes no porvir. Para muitos tecnologistas, o evento marcou também o fim da inocência no mundo da computação.
Com o Windows 95, as exigências técnicas dos PCs deram um salto enorme. O computador deveria ter gráficos coloridos com ícones, janelas e menus; áudio, para reproduzir os sons do sistema e tocar CDs; memória suficiente para poder abrir múltiplos programas ao mesmo tempo; e tudo isso junto para rodar os títulos multimídia em CD-ROM. (Quem não tivesse o drive de CD estava condenado a instalar o Windows a conta-gotas, usando uma versão distribuída em 22 disquetes). De modo geral, graças ao Windows 95 e aos componentes multimídia, o PC aproximou-se muito do seu paradigma inspirador, o Macintosh, que estava num período de estagnação tecnológica e custava caro demais para ter proveito fora de ambientes profissionais especializados, como estúdios e gráficas. Já os PCs estavam barateando dramaticamente; era a época do começo do Plano Real e um PC completo e compatível saía por menos de R$ 1500.

O tutorial da primeira execução, mostrando o botão Start – parecendo um daqueles desenhos animados em que a máquina mostra uma tabuleta escrito “aperte aqui”. (Wikipedia)
No final do “Jornal Nacional” de 24 de agosto de 1995, Cid Moreira apresentou uma matéria de três minutos e meio (youtu.be/lJkpBffLbc4) sobre a feira anual Fenasoft, em São Paulo, cujo ponto alto foi o lançamento do Windows 95 no Brasil. Cid apresentou o novo produto como “o supersistema que vai ajudar até quem não entende nada de computadores” – e de fato, a propaganda da Microsoft era totalmente voltada aos consumidores. O repórter da Globo no evento dizia, acerca do Windows: “duas vezes mais veloz” e “adeus à tradicional espera para acessar os programas: é ligar o computador e eles aparecem na tela imediatamente”. Dizer “mais veloz” sem dizer “do que”, sem dúvida, não passava de repetição de discurso de marketing. Mas a moderna multitarefa preemptiva (a capacidade de rodar mais de um programa ao mesmo tempo), um dos melhores aspectos do sistema, não encontrava nada similar para o consumidor. Quanto a acessar os programas imediatamente, eis aí uma promessa até hoje cumprida pela metade.
Na semana seguinte ao lançamento, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma enorme lista de títulos de software que não rodavam dentro do Windows 95; em sua maioria, eram programas exclusivos para DOS ou que davam conflito com drivers. Esses programas aguardariam atualizações ou ficariam obsoletos para sempre. O público, porém, não se abalou com o salto tecnológico e o investimento necessário, já que as vantagens eram claras. A arquitetura interna “quebrou” a compatibilidade com muita coisa anterior, mas em contrapartida oferecia o recurso “plug and play” de autoconfiguração de periféricos, além de suportar nativamente aplicativos de 32 bits. O Windows 95 introduziu os nomes de arquivos longos (de até 255 caracteres), que ajudaram a afastar da informática um de seus aspectos mais intragáveis para o usuário leigo. Destaque também recebia o simpático visual do sistema, com efeitos de relevo no mesmo estilo do NextStep. Pouca gente sabe, mas esse “skin” do Windows 95 (e, por extensão, também dos Windows 98, Me e 2000) é uma criação de Susan Kare, a mesma designer do primeiro sistema do Mac.
Grande parte da população teve no Windows 95 seu primeiro sistema de computador movido a janelas, ícones, menus e mouse. 1995 era o ano de sofrer constantes paus bizarros com o Netscape Navigator e visitar muitos websites que consistiam em páginas de links azuis com fundo cinza e uma única imagem grande no topo; navegar na verdadeira enxurrada de títulos interativos em CD-ROM, especialmente videogames modernos com “sprites” tridimensionais e efeitos sonoros estéreo; de fuçar as configurações do modem para conseguir entrar pela primeira vez na Internet.
O administrador de sistemas Alexandre Torres (@tsialex) evoca aqueles doces tempos com uma terminologia geek que os novatos de hoje poderão não compreender: "Lembro do 486DLC (aquele 486 “de pobre” com 16 bits de barramento e suporte a código de 32 bits, numa placa-mãe de 386), com enormes 16MB de RAM e “winchester” Seagate de 80MB “doublefullheight” (ocupava duas baias de 5 1/4") – como eram pesados os HDDs! Monitor EGA (16 cores simultâneas a 640×350 pixels); configurar autoexec.bat e config.sys na unha para sobrar uns parcos KB abaixo do limite da memória básica de 640KB; modem de 9600kbps “jumpeado”… Coisas que me impressionaram no Windows 95: painel de controle, todas as configurações em um lugar só; drivers já embutidos no sistema; multitarefa – ah que lindo!"
O Windows 95 veio à luz sem dois recursos que consideramos fundamentais em qualquer PC atual: Web e USB. O Internet Explorer vinha à parte, no pacote Plus!, e foi integrado à instalação do sistema com o primeiro Service Pack, de fevereiro de 1996. O USB só daria as caras no suplemento ao Service Release 2 (“Detroit”), exatamente dois anos após o “Chicago”, em agosto de 1997 – mas ainda levaria dois anos para acontecer a sua adoção maciça, que foi ironicamente puxada pelo Apple iMac e não por um PC.
A Web acabou sendo o pivô do processo antitruste do governo dos EUA contra a Microsoft em 1997, mas até aí, já era tarde: o Windows já suplantara todos os concorrentes, ajudara a reforçar a liderança do outro grande produto da Microsoft – o Office – e se firmara na posição que conserva intocável até hoje, de presença em cerca de 90% de todos os computadores pessoais no mundo.
Gostando ou não do Windows 95, ninguém se furta de reconhecer sua importância no reino da computação pessoal, e o marco que representou. Por isso, neste dia 24 de agosto, o dia exato em que o sistema deixou de ser Chicago e passou a se chamar Windows 95 ao som de Start me up, dos Rolling Stones, só há o que comemorar. Com tela azul e tudo.
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Comentários 
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Karmômetro (?)
polêmicoBons tempos em que eu jogava pitfall 8 bits no windows 95!!!
Postado por Iata Anderson em 25/08/2010 13:23
Karmômetro (?)
polêmicoÓtima matéria, excelente mesmo, mas tem um detalhe, a Microsoft não é mais a líder do mercado não, a Apple voltou a este posto com a volta de Steve Jobs, o relançamento dos novos Mac´s, iMac´s, iPhone e agora com o iPad então, nem se fala, a microsoft agora está em terceiro lugar, abaixo da IBM se não me engano, mas a Apple é a primeira.
Postado por Peterson em 25/08/2010 13:45
Karmômetro (?)
polêmicoA Apple tem maior valor de mercado do que a Microsoft, mas o texto está corretíssimo, o Windows ainda continua sendo o lider na preferência dos consumidores, com mais de 90% de presença nos computadores do mundo todo. Espero que continue assim para sempre, pois os Hackers vão continuar se preocupando em infestar de vírus e invasões a grande maioria dos usuários de Windows enquanto a gente vai continuar trabalhando em paz no nosso pouco utilizado Mac OSX.
Postado por Alfredo Barros em 25/08/2010 15:08
Karmômetro (?)
bom e polêmicoSaudades dos tempos em que vírus só se pegava por disquete! =P
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Gostava do Hoover que vinha no CD do Windows 95, gostava também de jogar Quake I, Doom, Heretic 1, Duke Nukem 2… era muito legal!
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Usei bastante foi o Windows 98SE até 2009, claro que usava um Pentium 166 e meus testes com XP não era muito satisfatórios.
Postado por Danilo Luiz em 25/08/2010 16:15
Karmômetro (?)
polêmicopara o Alfredo Barros, quem tem medo de vírus não use computador simples, essa história ai de mac ser melhor q windows por causa da qnt de virus é um clichê antigo inventado pra conquistar usuarios pro mac, hj utilizo mais o linux (q eh melhor do q qq macos) mas continuo com o windows…
Postado por Rodrigo em 25/08/2010 18:33
Karmômetro (?)
polêmicoPeterson, a matéria não fala que a Microsoft é empresa lider e sim que o Windows é o sistema operacional líder. E é mesmo, com mais de 90% dos computadores do mundo (contando tudo, todas as máqunas pessoais e inclusive roteadores e servidores) rodando Windows.
Postado por Das Übergeek em 28/08/2010 17:06
Karmômetro (?)
polêmicoPara o Rodrigo, tens toda a razão. Desde que comecei a usar mac, há mais de 10 anos, nunca tive um problema com virus. Abro tudo o que me mandam pela internet, entro em todos os sites, mas já me disseram que corro um grande risco. Por isso aconselho todo mundo a usar Windows, Linux ou qualquer outra coisa. Mac é um lixo, o mais vulnerável de todos, NÃO USEM MAC!
Postado por Alfredo Barros em 29/08/2010 14:29
Karmômetro (?)
bom e polêmicoBacana lembrar do Win95. Eu usei.
Postado por Ezequias Viana em 01/09/2010 21:30
Karmômetro (?)
tende a ruimPro bem e pro mal o Win 95 foi um divisor de águas. Realmente era uma odisséia configurar autoexec.bat e config.sys, rodar o memmaker.exe e configurar drivers no DOS. O 95 foi um alívio, mas não total, porque tudo que rodava em DOS ainda precisava dessas configurações…
Até hoje eu sinto falta dele, era muito mais limpo e objetivo do que as versões que vieram depois dele, considerando suas limitações. Lembro-me até hoje de um velho 386DX 40 com 4 ou 8 megas de RAM e monitor mono em que eu instalei o 95 em dezenas de disquetes… O micro funcionou melhor do que a dupla DOS 6.22 e Win 3.11 e ainda acessava a internet a 33600 bps.
Chega a ser engraçado falar disso hoje em dia, quando pensamos que um celular pode ter um processador de 1 GHz e 1 GB de RAM e acessa a net a 300kbps. Muita gente nem tem noção do que era isso (sou do tempo dos TKs, Amigas, MSX…), mas é curiosa a sensação de olhar pra trás e ver que já se passaram 15 anos e quanta coisa avançou!
PS: durante muito tempo usava só o 95, até hoje não suporto o 98. Até o ME funcionava melhor comigo!
Postado por Fernando em 09/09/2010 15:00