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Uma breve história do Unix

Postado por Das Übergeek em 10/08/2009 13:40
Blog: ÜberGeek

Karmômetro (?)

bom e polêmico
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Há 40 anos, o Unix era “apenas um jogo”

Por Henrique Cesar Ulbrich e Julia Vidile

Quando Ken Thompson sentou-se à frente do PDP-7 para iniciar seu projeto pessoal nos laboratórios da AT&T, em 1969, sua intenção era portar para uma máquina mais barata um jogo chamado Space Travel, escrito por ele. O game rodava em um gigantesco mainframe General Electric 645 e servia para demonstrar o sistema operacional que estava sendo desenvolvido pela AT&T na época, o Multics.

Entretanto, a empresa cancelou o desenvolvimento do Multics no fim da década. Além disso, cada partida do jogo, calculados os custos computacionais, custava mais ou menos US$ 75 no GE-645 (US$ 370 ou cerca R$ 700, corrigida a inflação). Para continuar com a jogatina, Thompson e seu colega Brian Kernigham decidiram criar um “Multics simplificado” que permitisse rodar o programa. Em apenas um mês, já tinham um sistema operacional rudimentar, um interpretador de comandos (shell), um editor de textos e ferramentas de programação. Kernigham batizou o sisteminha de Unics, numa alusão ao Multics, e foi logo rebatizado como Unix.

Aos poucos, o pequeno projeto (e a equipe em volta dele) foi crescendo. Em 1972, com a criação da linguagem de programação C por Dennis Ritchie, também da AT&T, o Unix foi reescrito e se tornou “portável” – ou seja, podia funcionar em máquinas de outros modelos e fabricantes sem precisar ser reescrito do zero, escapando do perigo da obsolescência causada pela morte do hardware onde rodava.

Mas o pulo do gato veio em 1974, com um artigo publicado na revista mensal da ACM (Association for Computing Machinery), que despertou o interesse de acadêmicos e instituições do mundo todo pelo novo sistema operacional. Como o código-fonte era livremente distribuível, começaram a surgir novas versões além da original da AT&T (rebatizada como System V); a primeira foi a BSD (Berkeley Software Distribuition), da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Em seguida, a partir de 1979, surgiram as implementações comerciais do Unix para servidores: Sun OS (da Sun, posteriormente rebatizado para Solaris), Xenix (curiosamente, da Microsoft), HP/UX (HP) e AIX (IBM) para citar apenas as mais conhecidas. Como as implementações de cada empresa eram ligeiramente diferentes entre si, a partir daí o Unix não era mais “o Unix”, um sistema operacional, mas sim “um Unix”, um tipo de sistema operacional.

No Brasil, a cultura Unix começou a tomar forma no início da década de 1980, mais precisamente em 1984. Empresas como Edisa, Cobra e Digirede estavam começando a oferecer minicomputadores com variações nacionais do sistema operacional. Um exemplo é o SOx, da Cobra. A Reserva de Mercado, que ajudava a manter longe a concorrência estrangeira, foi derrubada em 1991, o que levou as multinacionais IBM e Sun a entrarem com força no mercado nacional e a HP a adquirir a Edisa e suas operações Unix no país.

As “Guerras do Unix”

Nos anos 80, com a multiplicidade de empresas desenvolvendo e vendendo seu próprio “sabor” de Unix, adveio uma certa contradição no mercado. Apesar de serem vendidos como sistemas abertos, cada fabricante tentava trancar os clientes com pequenos recursos e incompatibilidades entre a sua versão e a dos concorrentes.

A verdadeira guerra que se formou foi deletéria para a imagem do sistema: não havia mais Unix enquanto produto, havia AIX, HP/UX, Solaris e assemelhados. O Unix havia deixado de ser um sistema operacional único para ser, por assim dizer, um “selo” a ser dado a sistemas operacionais que se parecessem com o Unix original – o que causou uma confusão sem precedentes no mercado. Como se não bastasse, os fabricantes vendiam (e ainda vendem), de forma casada, hardware e software, por preços bastante elevados. O AIX, da IBM, só funcionava em máquinas IBM, enquanto o Solaris só rodava em máquinas Sun.

A escalada dessa “corrida armamentista” acabou afastando os potenciais compradores do Unix e aproximando-os de um outro sistema operacional de servidor, não-Unix, que despontava então: o Windows NT, da Microsoft. Além do próprio NT ser mais barato, o sistema rodava em PCs comuns de baixo custo.

Em pânico pelo avassalador crescimento do NT no mercado, várias associações de fabricantes surgiram na época, mas eram numerosas demais para chegarem a um consenso. Com o passar dos anos, e ainda movidas pelo pânico, essas associações foram se fundindo ou extinguindo.

Hoje, apenas uma associação, que representa todos os maiores fabricantes do mundo, tem o poder de certificar quem é e quem não é Unix: a The Open Group, que publicou a chamada Single Unix Specification, ou SUS (especificação única do Unix, na tradução). Qualquer sistema operacional que passe pelo teste do SUS pode se auto-intitular Unix.

Mas mesmo essa definição unificada não acabou com as incompatibilidades. Por exemplo, o Mac OS X, sistema operacional dos produtos Apple modernos, é um tipo de Unix certificado. Mesmo assim, um programa escrito para o SCO Unix, por exemplo, não funcionaria no Mac OS X. Na prática, a atual definição de Unix é apenas cosmética.

Futuro?

Além disso, depois dos sistemas Windows Server (ao NT seguiram-se as versões 2000, 2003 e 2008) surgiu na década de 1990 um outro sistema operacional para servidores e estações de trabalho que, paulatinamente, vem tomando mercado dos Unix tradicionais: o Linux, que além de gratuito, roda em hardware barato (PCs comuns, como os utilizados pelo Windows). O curioso é que, apesar de visualmente parecer-se com um Unix e respeitar grande parte das normas técnicas deste, o The Open Group não certificou o Linux como “Unix de verdade”.

E pelo visto, nem precisa: segundo uma pesquisa do Gartner Group, há uma forte tendência nas áreas de TI a migrarem seus sistemas Unix para Linux. Com 18 anos de estrada, o sistema operacional criado por Linus Torvalds, que não usa nenhuma linha de código do Unix original, já é considerado por muitos como maduro o suficiente inclusive para aplicações de missão crítica – mesmo em hardware menos confiável.

Todavia, o funeral do velho Unix ainda está longe. Segundo uma pesquisa realizada em junho pela Computerworld, 90% disseram depender do Unix para alguma parte importante de sua estrutura de informática. Pouco mais da metade afirmou que o sistema é essencial em suas operações e o será indefinidamente, e apenas 12% esperam migrar para outras plataformas (incluindo Linux) no futuro. A pesquisa entrevistou gerentes de TI em 130 grandes empresas.

Djanira Vicenzy, diretora da Vytech, tradicional centro de treinamento Unix em São Paulo, é ainda mais reticente. “O Linux, no meu modo de ver, está mais associado ao Windows”, referindo-se ao mercado empresarial low end, que emprega servidores de baixo custo. “O Unix é imbativel como servidor. As arquiteturas RISC estão poderosissimas. Tudo vai depender do que o cliente precisa. Acho que em algumas situações o Windows até pode atender ao cliente, mas para quem já tem Unix, poderoso, seguro, confiável… mudar para Windows (ou Linux) é suicídio”.

www.geek.com.br


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Comentários Comment

  1. comentário de valter silva

    Karmômetro (?)

    tende a ruim

    parabéns!

    Postado por valter silva em 10/08/2009 21:23

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