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Devemos banir o celular das escolas?
Postado por
Stella Dauer
em
12/06/2009 17:55
Blog: EuTestei
Karmômetro (?)
excelenteCelulares já são uma constante em nossa sociedade. Esquecer o celular ao sair de casa faz com que muita gente se sinta “pelado” durante o dia, sem saber onde verificar as horas, sem ter algo para mexer nas mãos, sem poder conferir SMS, ligações perdidas, emails.
Isso não acontece só com pessoas que vão para o trabalho, pessoas que estão em um shopping ou em um restaurante. Adolescentes e até crianças já possuem seus aparelhos, uma conveniência para os pais, que pode virar vício e um pesadelo na hora de pagar as contas.
Já existe até mesmo um problema que os cientistas dizem estar atingindo jovens, uma lesão no dedo polegar, o famoso dedão, por passarem muito tempo com os ágeis dedinhos digitando centenas de mensagens SMS para amigas e amigos, contando novidades, combinando baladas e falando dos “peguetches”. Nos Estados Unidos, alguns pais estão ficando carecas com contas astronômicas de milhares de dólares porque suas filhas não conhecem seus limites, e acham engraçado virar matéria de jornal enquanto os pais pensam em como vão saldar a dívida.
E nas escolas? O celular atrapalha? Quando eu estava no ensino médio quase todo mundo já tinha celular, mas acho que ele não era tão presente na vida de todos como é agora que eu estou na faculdade. Não é só o celular dos alunos que tocam, mas também o dos professores. Quando é o do aluno que toca, eles se levantam sem o menor ressentimento, e saem da sala para falar, porque muitos deles trabalham, fazem serviços de freelancer e precisam estar disponíveis a todo instante. Alguns chegam até a falar em sala de aula, desrespeitando completamente a pessoa que está lá, na frente, tentando ensinar alguma coisa.
Outros (inclusive eu), fotografam a lousa escrita com as câmeras de seus aparelhos, porque nem levam mais canetas e caderno para a aula. Essa função eu acho até interessante, uma vez que economiza tempo e, para quem mantém tudo organizado pelo computador como eu, é muito mais simples ter uma pasta na minha máquina com as fotos das aulas, arrumadas por datas e por professor.
Recentemente, um outro caso, aqui no Brasil, chamou atenção do povo online. Um tal de professor Carlão, de um cursinho X, deu uma aula sobre a primeira guerra, e teria ‘perdido tempo’ falando bobagens e contando um episódio irrisório e sem importância do exército brasileiro, a batalha das Toninhas (vídeo aqui). Um aluno gravou tudo com a câmera do seu celular, espalhou na internet e se tornou polêmica.
Uma notícia do dia 08 de junho, veiculada no site News4Jax fala a respeito de uma escola em Jacksonville, nos Estados Unidos, aonde a administração estuda banir os celulares com câmera das salas de aula. Isso porque, veja você, um aluno filmou em sala de aula um professor tentando asfixiar um aluno. A escola informou que o professor foi retirado de seu cargo e está sendo investigado e que pretende mudar o código de conduta da escola, a fim de proibir a divulgação de fotos e vídeos da escola na internet sem permissão.
Ora, algo me parece muito torto aqui. Entendo que celulares podem atrapalhar uma aula, podem ajudar na hora da cola, entre outras coisas, mas a punição parece estar indo para o lado contrário. Se um professor está sendo acusado de tentar sufocar um aluno, porque punir quem gravou o vídeo e o divulgou na rede? A notícia dita outros casos, onde brigas em escolas foram também gravadas e divulgadas. Bem, e porque isso não pode ser divulgado? Porque ninguém implica com uma briga de rua e implica com uma briga em uma escola?
Isso é uma tentativa de repressão à liberdade de expressão? A escola está com medo de sujar sua imagem por causa de um vídeo? Se o problema ocorreu, porque não divulgá-lo, a fim de evitar que outras escolas contratem alguém que supostamente tentou asfixiar um aluno?
Há, claro, o outro lado. Caso seja mentira, a escola ficará queimada sem motivo, e um professor terá sido demitido sem motivo, e poderá não ter emprego em nenhum outro lugar por causa do vídeo. Pode ter sido, sem nenhum problema, um aluno maldoso que tenha querido se vingar de um professor que tenha lhe dado uma nota baixa.
Porém, é válido combater esse tipo de coisa simplesmente proibindo o uso das câmeras? Quanta criação e expressão será podada com isso? Quanta coisa boa da escola poderia ser divulgada e popularizada na internet, quanta denúncia verdadeira deixará de ser vista porque administradores de uma escola não sabem lidar com a nova sociedade e suas tecnologias?
A votação será dia 16, em poucos dias. Se for mesmo proibido, isso poderá abrir caminho para que mais e mais lugares possam justificar a proibição também. Isso pode até chegar aqui no Brasil, aonde o que mais se quer é calar o povo que acabou de descobrir a internet e está começando a aprender o muito que pode ser feito com ela.
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