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  <body>_Os muitos termos usados para designar pragas digitais podem confundir at&#233; os mais experientes._

*Por Henrique Cesar Ulbrich*

Embora erradamente considerados a mesma coisa, v&#237;rus e worms (ou vermes) s&#227;o entidades bastante diferentes. Para piorar, entra no caldeir&#227;o um outro tipo de praga chamada de &quot;Cavalo de Tr&#243;ia&quot; ou, simplesmente, Trojan. Entenda o que tudo isso quer dizer.

h3. V&#237;rus e Worms

Ambas as entidades s&#227;o pragas virtuais, &quot;infectam&quot; o computador da v&#237;tima e causam algum tipo de dano ou preju&#237;zo. Mas as semelhan&#231;as acabam a&#237;.

Um v&#237;rus e um verme para computadores t&#234;m mais ou menos a mesma diferen&#231;a que existe entre um v&#237;rus e um verme biol&#243;gicos. 

No reino biol&#243;gico, um verme &#233; um ser vivo completo, na maioria das vezes pluricelular e vis&#237;vel a olho nu. Ele tem todas as fun&#231;&#245;es biol&#243;gicas necess&#225;rias para sobreviver. Mesmo que seja um parasita e roube alimento do corpo do hospedeiro, ainda assim &#233; um ser vivo completo e aut&#244;nomo.

J&#225; um v&#237;rus &#233; um ser vivo muito simples. T&#227;o simples que sequer pode ser chamado de unicelular - ele nem &#233; uma c&#233;lula completa. Ao contr&#225;rio do verme, o v&#237;rus n&#227;o &#233; aut&#244;nomo. Quando uma pessoa est&#225; infectada com algum (o da gripe, por exemplo), este usa a estrutura das c&#233;lulas humanas para se &quot;completar&quot;. Ao contr&#225;rio do verme, portanto, o v&#237;rus n&#227;o existe sem as fun&#231;&#245;es b&#225;sicas providas pelas c&#233;lulas animais.

No mundo digital as coisas s&#227;o bem parecidas. Um verme digital &#233; um programa completo. Tudo o que ele precisa para funcionar, todas as tarefas e fun&#231;&#245;es que vai desempenhar est&#227;o programadas dentro dele.

J&#225; um v&#237;rus, de modo geral, &#233; apenas um trecho de c&#243;digo que reprograma software existente para subverter sua utilidade. Se um v&#237;rus precisa gravar um arquivo, por exemplo, basta usar as rotinas de acesso a disco que o pr&#243;prio programa infectado possui. 

h3. Formas de cont&#225;gio

Normalmente, uma infesta&#231;&#227;o por vermes do mundo real ocorre por introdu&#231;&#227;o volunt&#225;ria de ovos no organismo (por exemplo, por ingest&#227;o de carne su&#237;na com cisticercos). J&#225; uma infec&#231;&#227;o por v&#237;rus, na maioria das vezes, se d&#225; pelas vias respirat&#243;rias, por absor&#231;&#227;o do pr&#243;prio v&#237;rus em suspens&#227;o na umidade do ar, e n&#227;o pode ser evitada facilmente.

A situa&#231;&#227;o &#233; id&#234;ntica no mundo digital. Um worm, sendo um programa completo, &#233; muito dif&#237;cil de ser embutido em outro de forma discreta. Al&#233;m disso, precisa ser executado pela v&#237;tima para funcionar.

Os v&#237;rus n&#227;o precisam &quot;ser executados&quot; porque ele &quot;moram&quot; dentro de programas v&#225;lidos. H&#225; poucos dias, foi descoberto que c&#243;pias piratas do software de escrit&#243;rio iWork, da Apple, estava (e ainda est&#225;) sendo distribu&#237;do com v&#237;rus. Ora, o v&#237;rus _precisa_ do iWork para funcionar. 

Como uma &#250;ltima alegoria, pense num v&#237;rus como sendo uma doen&#231;a contagiosa que acomete o vendedor de enciclop&#233;dias que bate &#224; sua porta. A v&#237;tima recebe o vendedor dentro de casa e acaba pegando a doen&#231;a. O vendedor &#233; inocente e &#233; um vendedor mesmo. Ele apenas esconde a doen&#231;a dentro de si.

J&#225; um worm &#233; como se fosse um bandido disfar&#231;ado de vendedor de enciclop&#233;dias, com um terno falso, uma maleta falsa e um daqueles &#243;culos com bigodes. Ele n&#227;o &#233; um vendedor real, &#233; um impostor. Se a v&#237;tima n&#227;o for ing&#234;nua, vai perceber que &#233; um impostor e n&#227;o vai receb&#234;-lo. 

h3. Cavalos de Tr&#243;ia, ou &quot;trojans&quot;

Tecnicamente, Cavalos de Tr&#243;ia (ou trojan horses, como tamb&#233;m s&#227;o conhecidos) seriam os arquivos &quot;normais&quot; que um v&#237;rus ou worm usaria para se esconder. O nome remete &#224; famosa hist&#243;ria da Guerra de Tr&#243;ia, em que os gregos presentearam os troianos com um cavalo de madeira recheado de soldados, o que facilitou a invas&#227;o da cidade.

Todavia, as empresas de antiv&#237;rus, para facilitar a classifica&#231;&#227;o, chamam esse tipo de v&#237;rus de &quot;trojans&quot;, mesmo que na verdade o Cavalo de Tr&#243;ia seja o software que carrega o v&#237;rus em seu ventre e n&#227;o o pr&#243;prio v&#237;rus. 

Um Cavalo de Tr&#243;ia pode ser, por exemplo, um filme ou um programa pirata que, em seu interior, carrega um v&#237;rus. &#201; necess&#225;rio que, como na Tr&#243;ia antiga, o usu&#225;rio deixe voluntariamente o &quot;cavalo&quot; entrar em seu computador. O melhor meio de levar a v&#237;tima fazer isso &#233; colocar os v&#237;rus dentro de programas pirateados. 

Em nossa alegoria do vendedor de enciclop&#233;dias, o &quot;cavalo de Tr&#243;ia&quot; seria um vendedor de verdade, mas enfermo, e n&#227;o apenas a doen&#231;a que ele carrega.

h3. Evitando a infec&#231;&#227;o

Em primeiro lugar, a melhor maneira de evitar a infec&#231;&#227;o &#233; *manter-se longe de programas piratas*. _Isso inclui antivirus piratas, que podem eles mesmos, ironicamente, serem vetores de infec&#231;&#227;o_. Um antiv&#237;rus pirata (e infectado) vai funcionar muito bem para os outros v&#237;rus, mas vai esconder o que o infecta.

Qualquer programa pirata, incluindo o sistema operacional, deve ser evitado. 

&#201; necess&#225;rio tamb&#233;m *instalar um bom antiv&#237;rus*. Mesmo os gratuitos protegem da maioria das pragas. Jamais conecte seu computador &#224; internet ou mesmo plugue um pendrive desconhecido sem que o antivirus esteja presente. E lembre-se: embora ainda raros, j&#225; h&#225; relatos de v&#237;rus para Mac OS X e para Linux.

*Instale sempre as atualiza&#231;&#245;es* recomendadas pelos desenvolvedores *de todos os softwares que usa*.  Hackers, v&#237;rus e, principalmente, worms podem usar falhas dos programas para invadir o computador vulner&#225;vel. 

Os worms podem ainda usar as falhas para se auto-executar, eliminando a necessidade de ludibriar o usu&#225;rio para isso. &#201; o caso do worm Conficker, cuja escalada de infec&#231;&#245;es est&#225; crescendo assustadoramente. 

E, por fim, talvez o conselho mais s&#225;bio de todos, que as m&#227;es repetem aos filhos todos os dias: *nunca aceite balas de estranhos, nem balas estranhas de gente conhecida*. 

*Nunca abra nenhum arquivo desconhecido, mesmo que tenha vindo de uma pessoa conhecida*. O remetente pode ter enviado uma praga disfar&#231;ada de foto ou mensagem religiosa sem o saber. 

*Itens que n&#227;o devem jamais ser clicados ou abertos*:

* Emails tipo &quot;corrente&quot;, &quot;mensagem de paz&quot; e semelhantes, mesmo que tenham vindo de conhecidos

* Anexos de email tamb&#233;m do tipo &quot;corrente&quot;, &quot;mensagem&quot;, al&#233;m de programas, v&#237;deos e imagens suspeitas 

* Arquivos transferidos por mensageiros instant&#226;neos

* CDs, DVDs, disquetes e pendrives de origem duvidosa ou ilegal

* Programas, m&#250;sica e filmes piratas

* Downloads por P2P ou de sites duvidosos


_Geek_

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  <title>Entenda os Virus, Worms e Cavalos de Troia</title>
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