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New York Times e Wikipédia salvam jornalista ao sonegar informações ao público

Postado por Das Übergeek - em 01/07/2009 03:21
Blog: ÜberGeek

Karmômetro (?)

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Com seu seqüestro mantido em sigilo, jornalista pôde fugir de seu cativeiro no Afeganistão

Por Stella Dauer

Em novembro de 2008 David Rhode, jornalista do The New York Times, foi seqüestrado pelo Talibã no Afeganistão, junto com um repórter local e seu motorista. Nesse mês, Rhode conseguiu fugir de seu cativeiro, e o sucesso dessa empreitada pode ter a ver com a não divulgação de seu paradeiro ou de quem ele era por nenhum veículo de mídia, inclusive a Wikipédia.

Assim que soube do seqüestro de seu jornalista, o The New York Times resolveu manter segredo sobre o ocorrido, pois caso o Talibã, movimento islamita extremista do Afeganistão soubesse do valor que Rhode representava aos Estados Unidos, poderia iniciar negociações com troca de prisioneiros, e talvez ele não sobrevivesse a esse perigoso negócio. “Quanto melhor o perfil do cativo, mais atenção ele recebe de seus captores – e menores são as chances de um final feliz”, informa Matthew Sparkes no blog do site PC Pro.

Enquanto Rhode planejava sua fuga, o jornal em que trabalha começou uma luta para evitar que a informação fosse divulgada, e conseguiu que 35 canais de notícias não falassem nada a respeito do seqüestro. Porém, havia um veículo muito difícil de ser controlado, pois era produzido por pessoas comuns, a enciclopédia online Wikipédia, famosa por furar grandes sites de notícia em acontecimentos passados.

Após uma negociação com os editores da enciclopédia, esta começou a ser moderada para que informações sobre Rhode não fossem inseridas. A cada nova citação sobre Rhode, um editor apagava qualquer rastro possível sobre o fato, gerando uma série de críticas e protestos por parte de seus colaboradores. E, como estes são anônimos, não poderiam ser avisados pelos mantenedores do site sobre o motivo da edição, noticiou o TechCrunch.

“Uma dúzia de vezes os usuários publicaram atualizações sobre o seqüestro na página de Rhode da Wikipédia, apenas para tê-las apagadas. Muitas vezes a página foi paralisada para prevenir edições – um jogo de gato e rato que claramente irritou as pessoas que estavam tentando espalhar a notícia do ocorrido”, disse Richard Perez-Pena, repórter do New York Times em uma nota. Jimmy Whales, fundador da Wikipédia, falou no mesmo artigo: “Nós só conseguimos ajudar realmente porque a informação não apareceu em nenhum lugar que poderíamos considerar como fonte confiável. Teria sido muito difícil se isso tivesse acontecido”. Todas as edições censuradas basearam-se na “desculpa” de que não haviam fontes de onde a notícia vinha, algo obrigatório na Wikipédia.

Com os esforços de todos o jornalista conseguiu escapar do Talibã junto com o repórter local Tahir Ludin. O motorista que os acompanhava resolveu se juntar à organização que o seqüestrou. Quando soube do sucesso da operação, Jimmy Wales afirmou em seu Twitter que esse esforço pode ter salvo a vida de Rohde. “Eu estou realmente orgulhoso de todos os ‘Wikipedians’ que tornaram isso possível, talvez tenhamos salvo a vida dele”, disse.

Perez-Pena divulgou apenas no último dia 28 a fuga e todo o ocorrido envolvendo David Rhode, incluindo seu percurso pelo planeta e o sucesso de sua chegada aos Estados Unidos. Foram sete meses escondendo notícias a respeito do paradeiro de seu colega.

Mas a dita imprensa livre parece estar dividida. Inúmeras notícias e, especialmente, artigos de opinião publicados após sua fuga do cativeiro fazem a mesma pergunta: é válido censurar a Wikipédia e omitir informações nos grandes canais para salvar uma vida? Sites como o Tech.Blorge e o Fast Company questionam a integridade e a imagem da enciclopédia depois do caso.

O fato mais importante observado em todo o acontecimento foi a união de veículos tão diferentes em prol de uma vida e também do sucesso da edição por parte dos membros da Wikipédia. Segundo o site PC Pro, hoje em dia não é mais possível o controle das informações e da mídia como era antigamente, e cita como exemplo o atual conflito no Irã. Mesmo com os esforços do governo voltados para atrapalhar o sistema de comunicação, a população conseguiu uma forma de se comunicar com o mundo, e invadiu canais públicos como o Facebook e Twitter. Manter a Wikipédia amordaçada foi, portanto, um feito que talvez nunca mais possa ser repetido.

www.geek.com.br


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Postado por Das Übergeek - - em 01/07/2009 03:21

Comentários Comment

  1. comentário de Lívia

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Acredito que se foi para salvar uma vida, a omissão de informações foi válida. No entanto, acaba que a ação coloca mais em dúvida a relevância da Wikipédia.

    Postado por Lívia em 01/07/2009 10:44

  2. comentário de Leandro Gomes

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Se ninguém saber sobre uma informação é razão para salvar uma vida e não
    acabar com outra, por que a Wikipedia se faz irrelevante? Continua a não
    omitir o que nos edifica, democraticamente falando.

    Postado por Leandro Gomes em 01/07/2009 10:53

  3. comentário de João

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Qualquer esforço é válido para salvar uma vida, principalmente se este não interferir noutras vidas. Portanto o monitoramento e a omissão de dados, nesse caso, são perfeitamente aceitáveis, ou será que havia pessoas interessadas em serem os primeiros a divulgar a morte do jornalista? Quem viu as cenas de um sequestrado sendo degolado no Iraque? Será que tem gente que se vangloriaria em ser o responsável indireto por tal atitude?

    Postado por João em 02/07/2009 08:45

  4. comentário de Paulo Rená da Silva Santarém

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Na minha leitura, há um forte aspecto colaborativo nesse fato. E a wikipédia é colaboração pura.

    Ela é alimentada por pessoas que pensam e pode se sensibilizar com causas como essa. E podem inclusive, agora, registrar esse fato de que ela foi relevante para o desfecho feliz do caso.

    Postado por Paulo Rená da Silva Santarém em 02/07/2009 09:38

  5. comentário de Paulo Alexandre

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Sempre que os seqüestradores não conseguirem obter a atenção de ninguém, certamente se sentirão frustrados. Seqüestraram alguém sem valor para ninguém. E, por conseqüência, sem valor para eles também. Isto torna mais fácil encerrar o caso. Não mais seguro, porém. O caso poderia ter sido encerrado simplesmente matando o repórter e jogando seu corpo em qualquer vala à beira do caminho. Ninguém se importa com ele mesmo.

    Postado por Paulo Alexandre em 02/07/2009 15:15

  6. comentário de PauloJr

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Ao meu ver o que está comprometida não é a relevância da Wikipédia, mas a credibilidade daqueles que nela se fiam como única fonte de pesquisa, não apenas no caso do jornalista em questão, mas em qualquer matéria ou assunto.
    Utilizo a Wikipedia quando preciso ter idéia rápida sobre algum assunto sem interesse em me aprofundar, para isto existem livros.
    A mim não me dói nem um pouco que algumas informações me sejam negadas. A classificação de documentos — Reservado, Sigiloso, Confidencial — existe justamente para proteger e assegurar a integridade física e moral de pessoas. Acredito firmemente que isso não fere de modo algum a liberdade de imprensa ou signifique censura, mas penso que seja doloroso para fofoqueiros de plantão ou de alguns inescrupulosos que desejam fazer dinheiro ou fama com o sofrimento alheio.

    Postado por PauloJr em 02/07/2009 15:20

  7. comentário de Lívia

    Karmômetro (?)

    tende a neutro

    Não sou eu que não desconsidero a relevância da Wikipedia. Aliás, a acho um bom início de caminho para uma pesquisa. Agora, coloca como referência de seu trabalho acadêmico… Infelizmente sua nota abaixará.

    Então o que eu quis dizer é que: da mesma forma que a omissão de informações salvou uma vida, ela pode ser usada para outros meios não tão bons. Todo mundo já sabia que poderia ser feito, agora todo mundo sabe que pode.

    Postado por Lívia em 02/07/2009 15:23

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